Leishmania

Saiba mais sobre esse parasita causador das leishmanioses

A Leishmania é um protozoário unicelular mais conhecido por causar a doença leishmaniose. A Organização Mundial de Saúde classifica as leishmanioses como a segunda principal doença de importância em saúde pública causada por protozoários. Diferentes espécies do gênero Leishmania constituem os agentes causadores dessa doença de espectro clínico complexo e bastante diverso. 

 

O ciclo de vida desse parasita se estabelece entre vertebrados e um inseto. A infecção do hospedeiro vertebrado (por exemplo seres humanos, cachorros, roedores) tem início quando fêmeas de insetos comumente chamados flebotomíneos e popularmente conhecidos como mosquito-palha infectadas realizam o repasto sanguíneo, injetando o parasito em nossa pele.

 

As apresentações clínicas das leishmanioses podem ser classificadas em quatro formas básicas: leishmaniose cutânea (LC), leishmaniose cutâneo-mucosa (LCM), leishmaniose cutâneo-difusa (LCD) e leishmaniose visceral (LV) ou calazar. A LC decorre da infecção por várias espécies e pode ser bastante variável, desde casos assintomáticos e formas subclínicas que evoluem para a cura espontânea, até lesões ulcerativas na pele no local da inoculação do parasito. A LCM é causada pela espécie L. braziliensis e apresenta-se, em fase inicial, como lesões cutâneas. No entanto, pode desenvolver lesões destrutivas em mucosas e cartilagens do nariz, boca e faringe. A forma visceral da doença (LV) é considerada a mais grave e mortal e caracteriza-se por infecção sistêmica que tem como sintomas febre de longa duração, anemia, perda de peso, fraqueza, aumento do fígado e do baço. No Brasil a L.(L.) chagasi é a espécie implicada nesta forma da doença.   

 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, as leishmanioses colocam em risco 350 milhões de pessoas em todo o mundo. O Brasil é um dos países endêmicos mais importantes e divide com a Índia, Sudão, Nepal e Bangladesh 90% dos casos de leishmaniose visceral. Além disso, 90% dos casos de leishmaniose cutânea são encontrados no Brasil, Afeganistão, Argéria, Irã, Peru, Arábia Saudita e Síria. Em seu conjunto, a doença aflige 12 milhões de pessoas em todo o mundo. 

 

Apesar da importância e complexidade da doença, a gama de medicamentos disponíveis para combatê-la é extremamente reduzido. Além da toxicidade ao paciente, a terapia com antimoniais registra um grau considerável de insucesso. Alternativas mais caras, como a anfotericina B, têm sido utilizadas com resultados melhores. Apesar da resposta imune do hospedeiro vertebrado ser determinante na cura desta doença, a falha terapêutica pode estar relacionada a fatores mediados pelo parasito, como por exemplo, o desenvolvimento de resistência a drogas. Essa resistência é um problema crescente no tratamento da forma visceral da doença em algumas partes da Índia e da África, e já foi também observada em isolados clínicos das Américas.  

 

A importância médica destes protozoários justifica o seu estudo. A compreensão de sua biologia certamente pode levar ao desenvolvimento de ferramentas terapêuticas ou de prevenção mais efetivas. O estudo das Leishmanias e dos outros tripanossomatídeos patogênicos, tem oferecido uma janela ímpar para a evolução dos eucariotos e da forma de vida parasitária entre eles.

Texto por Dr. Luiz Ricardo Orsini Tosi

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